terça-feira, 24 de fevereiro de 2009


Intervenção Urbana.

Essa intervenção urbana está aí, às margens do Rio Cachoeira, em Joinville, em frente ao Centreventos e desde o ano passado. Passei ali pela frente nesse feriado prolongado de carnaval e fiquei pensando: "até quando essas peças vão ficar aí?". Longe de mim tirar o mérito de quem as produziu, porém, fiquei pensando na "função" da ação artística depois que a peça ficou deteriorada com o tempo e hoje, já não registra mais sua configuração inicial. Talvez alguém diga: "não, peraí, a ação do tempo e a própria degradação são reações naturais sobre a obra e isso faz parte do conceito de intervenção urbana". Pode ser, mas não satisfeito, fiquei me perguntando, e isso talvez o coletivo, o artista que produziu o trabalho, possa comentar aqui no blog, por que a intervenção foi feita ali, naquele recorte da cidade? O que representavam as peças na sua instalação? Eu vi "velas de um barco", vi "nadadeiras gigantes"... enfim (mas isso é só por curiosidade, ok?). Infelizmente não cheguei a ler nada a respeito nos nossos jornais, certamente saiu alguma coisa, pois interferiu mesmo no cenário da cidade, mas não vi. Também sob um ponto de vista muito pessoal, quero dizer a vocês que gostei muito daquela intervenção de um boneco vestido de executivo e sentado numa cadeira de praia, ali na passagem da beira-rio com a Max Colin. Putz, fui surpreendido! Alguns amigos ligaram, outros passaram e-mail. Lembro que tinha um cartaz dizendo "relaxa e goza", algo assim. E o país havia acabado de ouvir essa expressão vinda da cena política. Foi sintomático! Depois a gente viu uns caixões lançados ao Rio Cachoeira pelo coletivo "ProvocAção" e pra mim, sem efeito! Foi chover no molhado! Não teve jeito de coisa nova! Colocar caixões pra dizer que o rio está poluído ou "morto" é muito simples. Também fico pensando, será que a intervenção serve apenas para impactar, acho que não!!! Se serve apenas pra isso, então não gosto desse tipo de intervenção. Teve também a do veterano e consagrado Franzoi, que repercutiu muito e chamou ao debate sobre até onde é arte e espaço público. E lembro ainda das intervenções nos terminais urbanos da cidade, projeto apoiado pelo Edital de Cultura, que mexeu com a população e agora a 38 Coletiva, também com intervenções. E só pra não esquecer, Caco de Oliveira, já vem há muito tempo ilustrando tótens de pedra com seus poemas, numa intervenção sutil e deliciosa (ao longo das margens do Cachoeira num contraponto nada deliciosao com rio fétido). Voltando ao que nos inspirou esse texto, lembram daquelas garrafas pet gigantes espallhadas ao longo do Tietê, no começo do ano passado? Pois, é! Depois da intervenção urbana o material foi enviado para escolas públicas, reciclado e virou mochilas. Belo exemplo de continuidade e ação sistêmica entre arte e preservação ambiental. Pra não ser muito chato, a pergunta é: o que vai ser feito com essa intervenção? Talvez o projeto já tenha até uma definição. Mas como essa passadinha que eu dei por ali no domingo de carnaval me despertou para um debate mais amplo, resolvi escrever aqui no Textos Urbanos. Quem sabe a gente conversa um pouco por aqui sobre as intervenções urbanas na nossa cidade nesses últimos tempos. [Foto tirada no dia 22.02.09, 18 horas). Pierre Porto S. , redator e professor.

Um comentário:

TiroTTi disse...

“MEA CULPA”

Olhamos a cidade e procuramos novos olhares, organizamos pensamentos e num espasmo retornamos, à própria cidade, uma reflexão. Em um silencioso diálogo, buscamos (re) construir um novo habitat, local em que somos todos indivíduos de um mesmo tempo. Corrido, sofrido e percebido na felicidade do que é o viver em respeito a individualidade de cada um. Eu sei quem é o autor da obra abordada por você, vou transmitir a sua mensagem, mas, agora aponto a minha “mea culpa” por participar da 38ª Coletiva e ainda não ter retirado a minha intervenção. Ela trata do tempo-cidade e tem como conceito registrar no mesmo local em que capturei o instante, agora impresso em papel frágil para o registro do tempo. Pois é, o seu comentário me obriga a cumprir o papel de cidadão e retirar o resultado de minha intervenção para, quem sabe dar lugar a mais outra tantas manifestações dos indivíduos que constroem o local de tempo e vida. A nossa cidade.
TiroTTi